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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

7 anos e pico de Gato Pardo é muito...

Talvez motivado pelas recém adquiridas 200 cápsulas de café, hoje dei por mim com as seguintes questões em mente...

Há quantos anos é que eu escrevo na blogosfera? Onde é que eu deixei o isqueiro? Quando é que p*ta da vizinha do lado pára de ter distúrbios psicóticos e deixa de pensar que é a Amália Rodrigues às 3 da matina?

As duas últimas questões permanecem um mistério. A primeira fui aos arquivos fazer um pouco de pesquisa.

Redescobri muita coisa que nem me recordava mais de ter escrito. Coisas que me surpreenderam de ter escrito, outras que desejei nunca o ter feito e decisões precipitadas que tomei que determinaram o encerrar do primeiro projecto a quatro mãos que tive (e no qual foi um verdadeiro prazer colaborar), sendo que só muito recentemente aceitei novamente algo do género (e apenas pelo facto da minha companheira de escrita ser das pessoas que mais prezo nesta vida).

O Gato Pardo no conjunto das suas duas versões perfaz sete anos e mais uns trocos. Sete anos de um imenso prazer obtido na escrita. Mas outros projectos antecederam a chegada do Gato à blogosfera. Foi engraçado rever o trajecto literário até este dia. Admito, houve textos em que me ri sozinho (sim, sou apanhado da mona. Processem-me...) da mesma forma que muito poucos foram aqueles que me trouxeram as lágrimas aos olhos. Porque há contextos que apenas eu sei o seu alcance, jogos de palavras unicamente feitos para o meu entender.

Admito, perdi um pouco a noção do tempo. Perdi mais que isso também. Muita gente partiu, outras pessoas surgiram e tomaram o seu lugar na minha vida literária. Poucos foram os priveligiados que quebraram a barreira do virtual. A eles, a minha vénia. Sou o gato mais insuportável que alguma vez pensaram ter de gramar na vida deles. Mas são insubstituíveis na minha.

7 anos...Quem diria? Eu não... Mas enquanto houver sexo, whisky, tabaco, Margarida Rebelo Pinto, mais sexo e os homens não souberem estimular devidamente o ponto G eu terei sempre material de escrita. Ainda conto cá estar uns bons tempos.

Mas foi giro recordar.

O jogo e as suas consequências...

Hoje quero abordar um tema sério...

Sim, eu sei que este não é propriamente um blog que seja regular na abordagem séria de tópicos, mas hoje assim o será...

Hoje o tópico é o vício do jogo...

Há quem lhe chame a heroína de néon (por causa dos casinos e derivados) , outros o dragão invisível (porque destrói tudo à sua passagem sem que os envolvidos tenham a real noção dos estragos)...

O que há a dizer sobre o vício do jogo que já não tenha sido dito?Sinceramente, nada...Mas levando em conta que sou um ex-viciado (e orgulhoso disso) , custa-me quando sei de pessoas enredadas nessa teia de vício interminável...

Soube hoje de alguém que se encontra no fundo do poço...Alguém que tem rendimentos substancialmente superiores aos meus, que tinha tudo para levar uma vida tranquila e pacata, mas que no entanto vive num estado de ressaca constante até à abertura do casino no dia seguinte ou dos jogos de poker no fim de semana.

Devo admitir que ao ouvir as palavras "sou viciado no jogo" da boca dele, senti algo dentro de mim a querer despertar...Como se de um monstro adormecido durante muitos anos atrás se tratasse...Mas não...Era apenas um aperto no coração por saber que qualquer coisa mais que ele pudesse dizer, eu saberia-o de antemão...Já estive no fundo desse poço...Senti a vergonha de carregar esse vício nas minhas entranhas...

Para aqueles que não fazem ideia do que este vício envolve, apenas tenho a dizer que vos invejo...Esta é uma daquelas lições de vida que dispensava ter aprendido à custa de um preço tão elevado...E vejo alguém agora a percorrer o caminho da escuridão do qual eu soube sair a tempo, mas do qual receio que ele esteja apenas no início do mesmo...

Mas o que é este maldito vício?

É um desejo reprimido de vitória?

A ânsia de levar a melhor sobre o jogo em si e provar a nós mesmos que somos capazes de contrariar as estatísticas?

E a que jogo?

Não importa...O jogo em si, acaba por passar para plano secundário...O que importa, é que o indivíduo perde a completa noção da realidade e deixa-se levar para um mundo sem limites, nem obrigações...Tudo o que importa é a probabilidade de vitória, mesmo que isso custe a mensalidade da casa, as compras do mês para casa...Tudo isso passa para plano secundário, mediante a mera possibilidade de levar a melhor sobre o jogo...

Conheço casos já com alguns anos em que certos indivíduos perderam casas (sim, habitaçoes...) à porta do Casino Estoril porque davam as mesmas como garantia a certos agiotas que lá pairavam à porta porque perderam a noção de quando parar...

E como é que se combate este maldito vício?

Conheço duas formas que se complementam...Uma, é sem dúvida alguma, ajuda profissional...A chamada terapia de choque...Fazer ver a estas pessoas, que não há jogo sufcientemente aliciante que colocado na balança. pese mais que a família e a saúde...A outra?É força de vontade...Porque é que digo isto?Porque foi assim que superei o meu vício...Muitos anos atrás jurei a mim mesmo que só voltaria a colocar os pés num salão de jogos, quando me sentisse capaz de resistir à ânsia juvenil de queimar dinheiro a torto e a direito...

Passados 15 anos, o mais próximo que estive de um salão de jogos é o salão de snooker onde ocasionalmente se juntam uns quantos amigos para bater umas bolas...Os casinos?Tenho uma regra que mantenho desde muitos anos atrás...O dinheiro com que entro, é o dinheiro que gasto, mesmo que saia de lá com um Jackpot no bolso...São 40€ com que entro?É o dinheiro que gasto...E convêm salientar que entro num casino tipo, quando os hotéis onde fico têm esses malditos estabelecimentos lá dentro...

Vício do jogo?É uma droga como qualquer outra...Destrói a pessoa do interior para fora...E depois de "acabar" com o indivíduo, destrói tudo em redor até restar apenas uma carcaça só e abandonada que outrora foi uma pessoa...

Se possuo vícios actualmente?Claro...Tenho o meu cigarro (que não deixa de ser uma droga...), os bolos de brigadeiro, pastéis de nata de Belém e as pessoas que amo (não necessariamente por esta ordem...)...

Espero vivamente que a conversa que tive com a pessoa envolvida sirva para ele abrir os olhos...O caminho para a redenção é tudo menos fácil...O vício do jogo é um dragão indomável, cuja única solução é puxar da espada e matá-lo...

E vocês, conhecem casos de pessoas viciados no jogo?

Partilhem...Gostava de saber a vossa opinião...

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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